sexta-feira, 26 de agosto de 2011

The Rolling Stones e os Hell´s Angels


No final da década de 1960 o mundo do rock estava em uma faze de transformação óbvia para todos, mas ninguém sabia pra onde tudo estava indo. Uma das maiores bandas era sem dúvida o The Rolling Stones e seu líder, Mick Jagger, queria manter a banda neste posto por muito tempo ainda, e depois de haver ocorrido o famoso show em Woodstock quatro meses antes, resolveu superá-lo e encerrar a turnê nos EUA com uma gigantesca apresentação gratuita no autódromo da cidade de Altamont, na Califórnia, em 6 de dezembro de 1969, seria o último grande show da década.

A imagem que Jagger queria passar era que os Stones eram a banda mais obscura, rebelde e selvagem do rock, com apresentações aludindo sexo selvagem, violência e envolvimento com magia negra e o próprio Cramulhão em pessoa. Músicas como Play with fire (Brinque com fogo), Street fighting man (Lutador de rua), Let it bleed (Deixe sangrar), Midnight rambler (Vagabundo da meia noite) e Sympathy for the Devil (Compaixão pelo Diabo) mostram um pouco disso.

Para o grande show foram convidados primeiramente o público (entre 300 e 500 mil pessoas compareceram), os artistas (Santana, Jefferson Airplane, The Flying Burrito Brothers, Crosby, Stills, Nash & Young e o Grateful Dead), as câmeras (Jagger queria fazer um filme sobre a turnê) e os Hell´s Angels (o grupo de motoqueiros foi contratado para fazer a segurança por um pagamento que eles mesmos disseram ser “para pagar a cerveja que iriam beber”, $500,00), isso mesmo, os seguranças eram os HELL’S ANGELS, não sabe quem são? Algumas considerações sobre os Anjos do Inferno se é que o nome não diz tudo:

O principal símbolo dos Hell’s Angels é a “cabeça da morte”, uma caveira alada, chifruda, usando um capacete.


Um dos lemas do grupo é; “Quando fazemos direito, ninguém lembra. Quando erramos, ninguém esquece.”

A Associação Americana de Motociclistas diz que 99% dos seus integrantes são bons cidadãos. Os Hell’s Angels costumam usar como um de seus símbolos a cifra 1%.


Os membros que cometem homicídios em favor do clube recebem um emblema em forma de dois raios como o SS nazista.


Só são aceitos no clube homens, brancos, não pedófilos e sem qualquer envolvimento com a polícia.

Existem clubes de Hell’s Angels por todo o mundo, não sei se todos tem que ser da mesma maneira que os norte americanos mas um grupo com essas características, bebendo muita ceva, nunca deveria estar entre um monte de hippies drogados e seus artistas favoritos e o que aconteceu foi uma sequência de catástrofes.

Mick Jagger e os Hell's Angels no palco

Os motociclistas estacionaram as motos em frente ao palco para “isolar” o público, se posicionaram em todos os acessos ao palco e usaram tacos de bilhar para manter o controle. Qualquer um que tentasse chegar perto era sumariamente espancado não importando nem mesmo que fosse mulher e jogado de volta para a platéia.

Os Hell's Angels "controlando" a platéia

Os shows continuaram e a pancadaria só aumentou, havia tendas da Cruz Vermelha no local mas ainda antes da entrada dos Stones não estavam dando conta dos feridos, até mesmo um dos músicos do Jefferson Airplane ficou inconsciente após uma discussão com um dos motoqueiros. O Grateful Dead logo que viu o que estava acontecendo se retirou do local não participando do festival. Como acontece em qualquer show, quando a banda principal apareceu o público ficou muito agitado e aí as motocicletas não podiam conter a massa humana e os Hell’s Angels aumentaram a violência proporcionalmente e durante a música Under my thunb um dos espectadores chamado Meredith Hunter de 18 anos, negro, foi esfaqueado pelas costas por um motoqueiro chamado Alan Passaro e espancado por vários deles até a morte, posteriormente se verificou nos vídeos que Meredith estava com uma arma de fogo, mas não parou por aí, embora não soubessem que o homem estava morto, os Stones queriam parar o show mas o líder do grupo, Sonny Barger entitulado “Maximum Leader”, com uma arma encostada em Keith Richards disse para continuarem tocando e assim foram até terminar a apresentação.

Meredith Hunter de verde na platéia
O momento do ataque

No dia seguinte ficaram sabendo que não só Meredith Hunter havia morrido mas outras três pessoas também, embora não diretamente pelos Hell’s Angels mas certamente os tumultos ajudaram. Mick Jagger declarou não querer mais nenhum envolvimento com os Hell’s Angels pois eles seriam os culpados por toda a tragédia. Posteriormente, em 2008, um ex-agente do FBI chamado Mark Young revelou para a BBC que o grupo de motoqueiros teria planejado assassinar Jagger em sua casa de veraneio, perto de Nova York, chegando pelo mar e evitando passar pela segurança mas o bote em que estavam virou durante uma tempestade. Todos se salvaram mas desistiram de assassinar Jagger.

Sonny Barger o lider dos Hell's Angels

Alan Passaro, foi julgado alguns anos depois e inocentado por legítima defesa, os outros espancadores nem foram a justiça. Algumas das gravações do que aconteceu naquele dia fatídico aparecem no filme Gimme Shelter, que é um dos maiores documentários sobre rock de todos os tempos lançado em 1970. Há também o livro “Mick Jagger e os Rolling Stones” do jornalista Willi Winkler que fala sobre o ocorrido.


Assim acabou a década de 60 para o rock, o último grande evento de paz e amor da era hippie culminou em um assassinato. Muitos culpam o envolvimento dos Stones com o lado negro da força por tudo o que ocorreu em Altamont, outros culpam o descaso dos organizadores que só queriam faturar e não investiram em uma estrutura descente, mas é de se salientar que os festivais nunca mais foram os mesmos e os Stones nunca mais fizeram um música para o Diabo.



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

PIOLHOS E INSETOS NOS DREADS DE BOB MARLEY

Em 1981 morria de câncer Bob Marley, o cara que transformou o reggae em um estilo musical conhecido no mundo todo. Bob é lembrado sempre usando seus enormes dreadlocks, um estilo de cabelo formado por rolos que nunca são desfeitos.




Bob era um adepto da religião Rastafári que considera o corpo como um templo que não pode ser mutilado, incluindo o cabelo, por isso ele não o cortava. Embora seu pai fosse branco ele herdou as características de sua mãe negra e a maneira mais comum entre os rastas é fazer os famosos dreads para que o cabelo não fique armado e sim pendente da cabeça (nem todos os rastafáris usam dreadlocks). Quando este tipo de cabelo não é bem cuidado pode acumular sujeira e principalmente umidade causando mau cheiro, mas isso não é sempre assim, basta um bom banho com xampu e está tudo resolvido.



Com a morte de Bob surgiu a lenda de que teriam sido encontrados diversos tipos de insetos vivendo dentro de seus dreads, inclusive algumas espécies de piolhos desconhecidos até então ou considerados extintos. Será?


Quatro anos antes, após um jogo de futebol, Bob descobriu uma ferida em seu dedão do pé direito, a princípio ele pensou ser apenas um ferimento ocorrido no jogo, mas o ferimento não curava e sua unha caiu. Após exames médicos descobriu-se que ele estava com um tipo de câncer de pele chamado melanoma maligno. Devido as suas crenças rastafári ele não permitiu que seu dedão fosse amputado, o que poderia ter resolvido o problema, então a doença se espalhou.


Aparentemente, antes de sua morte, Bob se converteu ao cristianismo e resolveu se tratar na Alemanha com um médico chamado Dr. Josef Issels que como parte do tratamento, que ele dizia ser natural, retirou os dreadlocks e passou a colocar longas e dolorosas agulhas no corpo do músico em terapias sem resultado algum. Posteriormente ele foi internado em um hospital em Miami, onde acabou morrendo aos 36 anos.


Última foto de Bob Marley vivo, sem os longos dreads, lendo uma bíblia

A conversão de Bob ao cristianismo é defendida por seu filho David (mais conhecido como Ziggy Marley) e seu funeral foi ministrado por religiosos cristãos na Igreja Ortodoxa Etíope da Santíssima Trindade com a participação do arcebispo da Igreja no hemisfério ocidental (Bob foi batizado um ano antes em Nova Iorque com o nome de Berhane Selassie, que significa "Luz da Trindade"), mas de forma geral os mais interessados no legado de Bob, como a gravadora e o governo da Jamaica nem tocam no assunto para não prejudicar a imagem ligada ao movimento rasta e o turismo na terra natal de Bob.

Ziggy Marley


Insetos e piolhos nos dreadlocks de Bob Marley? É ruim de acreditar. Ele não usava mais os dreads e ficou internado em um hospital em seus últimos dias onde não teriam passados despercebidos tais monstrinhos.


Ele está sepultado em uma capela em Nine Mile na Jamaica, junto com sua guitarra favorita, uma Guibson Les Paul Special P90, uma bíblia aberta no salmo 23 e um pé de maconha.


Mausoléu de Bob Marley na Jamaica 

No vídeo, imagens do funeral (pause a música no topo da janela).


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

PAUL MCCARTNEY ESTÁ MORTO (PARTE 11/11)

Demorou três anos após a suposta morte para que a história surgisse. Parece que alguém nos Estados Unidos (o país das teorias da conspiração) ficou olhando demais para as capas dos álbuns dos Beatles e achou as primeiras pistas, de um pequeno foco a teoria se espalhou e acabou chegando ao DJ Russ Gibb que recebeu a lista por telefone e a leu, a rádio podia ser ouvida por quase todo o território. Gibb foi demitido no dia seguinte. Antes disso a história, se existia, não passava de uma brincadeira sem crédito nenhum. A lenda deve ser mais um dos tantos vírus contagiosos da mídia sem escrúpulos dos Estados Unidos e do Reino Unido.


As muitas pistas nas artes de capa são fruto da imaginação de fãs que ao verem aquelas imagens, feitas por artistas sob o efeito de drogas, tentavam entender aquilo de uma maneira lógica e a arte raramente é lógica. As frases encontradas dentro das músicas são retiradas de seus contextos para se adaptarem à teoria e muitas das letras não fazem o menor sentido por si só, isso só ajuda a formar as supostas pistas.

A lenda em inglês é conhecida simplesmente como Paul is dead (Paul está morto), todos já sabem a que isto se refere tamanha a repercução que existe até hoje. Em 1993 Paul McCartney, sempre com seu bom humor, lançou o álbum Paul is live (Paul está vivo), um disco ao vivo e com a arte de capa de Abbey Road refeita com recursos digitais. Nele, Paul coloca a perna esquerda bem para tráz, está calçado, segura a guia do cão com a mão esquerda, não há mais o carro preto e na placa do fusca está escrito 51IS, significando que ele tem 51 anos (na época do álbum).


Paul e John mesmo não se vendo mais pessoalmente, ainda se falavam por telefone e tinham um bom relacionamento, inclusive fazendo piadas sobre o rumo de suas vidas. Paul diz ter ficado muito chocado e triste com a morte de John, passou a noite inteira chorando e ficou muito tempo sem tocar ao vivo, tinha medo de ser assassinado também.


Fazendo uma análize a distância de tudo isso, há muitas inconsistências, inclusive partes da lenda eu nem coloquei aqui pois são completamente descabidas, mas há uma boa quantidade de pistas que se encaixam perfeitamente na história.

John e George estão mortos e Paul vai negar até a morte. Agora Ringo Starr é único que sabe qual é a verdade seja ela qual for.

Ringo Starr em 2011

E esta série de 11 posts morre por aqui.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

PAUL MCCARTNEY ESTÁ MORTO (PARTE 10/11)


Talvez realmente tenham sido colocadas pistas nos álbuns para alimentar a história do suposto acidente de Paul e aumentar as vendas, mas isto nunca foi adimitido por ninguém envolvido com a banda.


Sobre as pistas nos álbuns há que se considarar o seguinte.


Ignorando a própria história sobre a morte de Paul, os teóricos incluem dois discos anteriores à suposta morte dele, se ele morreu em novembro de 1966 como é que aparecem pistas em Rubber Soul (1965) e Revolver (agosto de 1966) antes da suposta morte? Deve ter sido um preságio sobrenatural.


A deusa indu Lakshmi
A capa de Sgt Peppers é uma substituição feita meio às pressas para uma capa que não foi aprovada pelos Beatles e que traz o quarteto em un jardim, cercado pelos seus heróis escolhidos por eles mesmos. O alegado baixo de Paul nem pode ser diferenciado de qualquer outro instrumento de cordas e não passa de um simples arranjo de flores com algo que parece ter cordas. Como estão vestidos com uniformes os Beatles têm nas mãos instrumentos de sopro, como as bandas militares, e Paul traz na mão o instrumento que seu avô tocava. A estatueta na parte de baixo da capa não é de Kali ou Shiva mas Lakshmi a deusa indu da fartura. A música A Day In The Life fala sobre o acidente de um amigo dos Beatles, Tara Browne, que cruzou um sinal vermelho e bateu em um caminhão, John compôs a música logo que soube do ocorrido.

The Beatles se preparando para a foto de Sgt Peppers
Em Magical Mistery Tour as tais pistas não passam disso, não há nenhuma prova ou depoimento de alguém admitindo ter colocado elas lá. Em Strawberry Fields Forever existe mesmo uma frase dita por John no final da música, mas ele mesmo disse que não se trata de “I buried Paul” e sim “Strawberry sauce” (Molho de morango). As frases no final de I Am The Walrus estão lá porquê esta música é baseada na peça Rei Lear, de Shakespeare, são frases retiradas aleatoriamente de uma gravação para uma rádio. Sobre o número de telefone em que se ouvia a frase “You’re getting closer” descobriu-se que se tratava de uma fã que resolveu fazer uma brincadeira quando viu que aquele era o número de seu telefone.


Da mesma forma o White Album e o Yellow Submarine, não têm nada mais que pistas especulativas demais.

Paul acabando de descer a calçada da Abbey Road

 

Quanto a Abbey Road, o passo trocado de Paul na capa pode ser simplesmente por ele ser o verdadeiro Paul, canhoto, descendo o meio-fio com o pé mais hábil, o esquerdo, assim como os outros usaram o direito para isso. Quem nunca saiu com os olhos fechados em uma foto? Basta piscar, Paul nem deve ter percebido isso quando escolheu a foto entre as seis que foram tiradas. O próprio Paul explicou que naquele dia fazia muito calor e não quis colocar os sapatos só para tirar a foto. Não há carro funerário na foto, é um carro de polícia dos anos 60, tem até o giroflex sobre o capô e com um pouco de esforço se pode ler abaixo dele POLICE. Na placa do fusca está escrito 281 F e não 28 IF.

O carro de polícia

 


Continua...



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

PAUL MCCARTNEY ESTÁ MORTO (PARTE 9/11)

Após Abbey Road foi lançado mais um álbum dos Beatles, Let It Be que muitos consideram como um “álbum póstumo” da banda, pois eles já estavam separados. Let It Be foi gravado antes, mas por causa das infindáveis brigas e desacordos sobre este trabalho, ele só foi terminado pelos produtores em meados de 1970 e por isso ele não tem pistas sobre a morte de Paul McCartney.


John Lennon saiu dos Beatles ainda em 1969 e no ano seguinte diz a famosa frase “O sonho acabou”, sepultando as esperanças de que a banda pudesse voltar.


No mesmo ano lança o álbum Imagine (1971) onde há uma música composta especialmente para o falso Paul, How do you sleep? (Como que você dorme?) William deveria ter peso na consciência por sustentar a farça de substituir Paul McCartney.

John Lennon dando um autógrafo ao seu assassino antes do ataque
As farpas entre eles duram por muitos anos até que em 1980 de maneira muito estranha um suposto fã de John, chamado Mark David Chapman, após lhe pedir um autógrafo atira nele, matando o único que estava disposto a acabar com a farça de William Campbel o impostor que passou a assumir a identidade de Paul McCartney. No dia seguinte à tragédia Paul foi entrevistado e disse que “passou o dia no estúdio por não querer ficar em casa sentado sem fazer nada”, dando pouco caso à morte de John.


Mesmo após o término dos Beatles, William Campbel continuou tocando e mantendo a sua grande e bem sucedida carreira de rockstar.


 

Esta foi a história contada pelas pistas que foram encontradas, colecionadas e reunidas por muitos fãs, mas há outros que dizem que isso não é bem assim, que querem as provas e não só as pistas, então aí vai o outro lado da história.


Dizem que não foi bem assim.


É fato conhecido pelos grandes fãs de Paul McCartney que ele realmente sofreu um acidente em 1966, porém foi de moto e ele nem chegou perto de morrer, mas bateu o rosto, quebrando um dente e ficando com uma cicatriz no lábio superior o que pode ser visto nos vídeos de Paperback Writer e Rain. Se houvesse acontecido algum acidente assim tão grave naquele dia, mesmo não sendo com Paul McCartney, haveria alguma notícia em jornais ou uma ocorrência policial registrada, mas não se tem notícia de nada disso.


Fred LaBour
Ao que parece o nome de William Campbel entrou na história a partir de um artigo na Big Fat Magazine, atribuido a um tal de Fred LaBour, um estudante da Universidade de Michigan, que pesquisou a lenda e achou que este homem se encaichava perfeitamente.


Realmente há uma evolução na técnica musical de Paul mas isso acontece com qualquer músico com o mínimo de dedicação e Paul era reconhecido até mesmo por John como um multi-instrumentista, tocava não só o baixo mas vários intrumentos, seu pai e seu avô eram músicos, daí seu conhecimento musical.


Se Paul fosse hermitão de estúdio que só entrasse em contato com John, George, Ringo e o empresário, haveria uma possibilidade de se fazer a substituição, mas e o resto das pessoas? Ele tinha família e amigos, foram todos enganados por Billy ou subornados para manter tudo em segredo?
A família de Paul
Seu pai com a filha e esposa do segundo casamento em 1966
Os músicos estavam muito cansados das constantes turnês e estavam se desentendendo bastante, a grande quantidade de músicas, sua complexidade e o acidente de moto de Paul foi o que os fez parar de tocar ao vivo e se dedicarem à produção em estúdio, e não uma suposta morte de Paul.


Mas e quanto as centenas de pistas nos álbuns?



Continua...